A minha infância foi assim: vivia numa zona valorizada da cidade e estudava em uma escola particular, tida como excelente. Tinha aula de piano e balé clássico semanalmente. Falando apenas estas informações surpreendentemente verdadeiras, tenho quase certeza que você me julgou, consciente ou inconscientemente, uma criança de sorte.
Para reforçar ainda mais este julgamento automático, digo que meus pais eram casados e nunca se separaram. Meu único irmão me enche de orgulho a cada dia e nossa relação sempre foi profunda, cheia de companheirismo e amor.
A minha mãe era a pessoa que eu mais amava no mundo. Ela era cheia de encantos!
Meu pai sempre trabalhou bravamente para o sustento de sua família.
A questão é que só as entrelinhas de tudo que escrevi agora, conseguem refletir a realidade da minha época de menina.
Entrelinhas muito maiores que a soma de todo o lado belo dos fatos.
Com isso, tem mais de uma década que venho dissecando e esvaziando as marcas que este passado imprimiu em mim.
Isto é história complicada de se deixar soltar da alma!
Preciso buscar as palavras.
Está tudo mais arrumado que antes, mas ainda é carregada de sentimentos avassaladores.
Peço licença e um tiquinho de compreensão para eu começar a contar as entrelinhas no próximo post.Pra muitos nada do que eu falar poderá ter peso. Enquanto para outros, será um drama nunca vivido.
Não importa! Necessito transformar tudo isso em letras.
Já volto, tá? rs

